A alegria sempre foi minha bússola. Para onde ela apontava eu ia, sem pensar duas vezes. Esse comportamento me conferiu o título de "inconformada" e "inconstante" algumas vezes e não posso dizer que estejam errados, eu não sou realmente de me conformar na infelicidade, em viver uma vida em banho-maria, molhando só os pés. Já passei muito tempo ignorando a minha alma para não parecer diferente do resto das pessoas, para caber nos moldes sociais necessários para a sobrevivência.

E nos últimos anos, larguei tudo, chutei o balde e o pau da barraca juntos, para seguir meu propósito, meu coração e mais uma vez, a bússola para onde minha felicidade apontava. 

De tempos em tempos precisamos tirar nossas bússolas da gaveta, escutarmos cuidadosamente o que nossas almas querem nos dizer e sermos sinceros conosco. Pois chega uma hora, que não tem mais a ver com dinheiro, com companhia ou status de relacionamento, com ascensão ou poder. Tem a ver com SER. Não mais meramente com o "ter". Nessa hora, o supérfluo não nos preenche mais, as suposições e os "talvez" não nos preenchem mais; as "possibilidades" e a espera pelo que pode vir - ou não - a ser nos esgota de uma forma sem precedentes. Quando damos conta, estamos exauridos, totalmente sugados, sem brilho algum nos olhos, nem nos lembrarmos dos motivos que nos trouxeram até aqui. Com a terrível sensação de falta absoluta de entusiasmo ao nos levantarmos todas as manhãs. Acreditem, não há sentimento pior nesse mundo. Do que perder a fé. A fé em si mesmo, a fé nas pessoas, a fé em todas as coisas boas que nos cercam aqui na Terra. 

Quando a alegria parte, é hora de partimos também. Pois não há argumentos suficientes para nos manter onde quer que seja, se isso não faz mais nosso coração bater forte, se já nos trouxe alegria um dia, lá no passado, pois alegria é como café, precisa ser fresca, nova, feita todos os dias. Memórias não são suficientes para aquecer café nem uma vida. A vida é o que está acontecendo AGORA. Sonhos também envelhecem, caducam...projetos falham, rotas e ventos mudam...até a Lua tem fases, quem somos nós para querermos passar toda a vida retilínea, sem mudanças e sobressaltos?

Somos humanos. E humanos cansam, humanos se arrependem, mudam de opinião. Humanos se apaixonam e desapaixonam incontáveis vezes, agem por impulso, por instinto e de vez em quando percebem a razão. Humanos estão em constante e ininterrupta transformação.

Não é justo, aliás, além de não ser justo, é antinatural nos forçarmos a permanecermos os mesmos; negarmos nossos desejos, irmos contra o fluxo da própria vida. Que é a MUDANÇA. 

É hora de dizer adeus. De se despedir do velho "eu", de explorar novos rumos, de passar para a frente as roupas que não nos cabem mais, de nos livrarmos das culpas que não nos cabem mais, do relacionamento que não nos causa mais tesão, do trabalho que talvez encha nossos bolso, mas não nosso coração. É hora de trocar os de pele; de atividade; de cabelo. profissão. Por que não? É hora de abraçarmos a nossa nova versão, que irá surgir quando o ponto final necessário for colocado. Quando a bússola mostrar a direção. 

Saibamos ser gratos por tudo de bom que vivemos. E acima de tudo, saibamos reconhecer os morangos escondidos em cada fase que vivemos, porque eles sempre estão lá. 

É só o fim de um ciclo. Talvez o velório de sonhos lindos, mas não se apavore, na alma humana existe um cemitério de sonhos é verdade, de tudo aquilo que poderia ter sido, mas também tem uma maternidade com sonhos recém-nascidos, só esperando para serem notados e escolhidos. Nossa capacidade de superação, de evolução, de adaptação, é extraordinária! E existem infinitos caminhos nessa vida, não é porque um não te levou onde você gostaria, que você está condenado ao fracasso eterno. Talvez seu caminho não seja esse. E a sua alegria esteja te esperando de volta, festeira e animada em te ver, logo mais à frente no novo caminho que você irá trilhar quando decidir que é hora de encerrar as tentativas; soltar as frustrações e tudo aquilo que tanto te machuca. 

Nem sempre é fácil soltarmos, enterrarmos sonhos que por tanto tempo nortearam nossos passos, como todo luto, este também é um processo que requer tempo, mas absolutamente imprescindível para que a vida possa continuar. 

Solta. 

Amanhã é um novo dia e pode ser o primeiro dia da sua nova vida. Se assim você decretar. Solta tudo e todos que te impedem de voar.

Bruna Stamato