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segunda-feira, 17 de abril de 2017

A vida é muito mais que seguir os protocolos

Vim compartilhar um pensamento com vocês, se me permitem! Nunca, nunca descarte algo que faça seu coração bater forte e acelerado. Pode ser alguém, algum lugar, um cheiro...uma música, uma atividade, um sonho, enfim... Estamos nesse mundo pra isso! Esse é o sentido! Se você ficar preso a relacionamentos frustrantes, trabalho maçante, atividades exaustivas, pessoas tóxicas, ambiente conturbado, você vai precisar de algo sintético que te faça, ou frear o ímpeto de vida, ou que te dê uma falsa sensação de bem-estar. Por isso a nossa geração é tão dependente de remédios. É remédio pra acordar, pra nos dar força para irmos para mais um dia insuportável num emprego que não gostamos, numa cidade que não queremos morar; É remédio pra dormir, e acabar com a ansiedade e nos fazer esquecer do mundo. É remédio para inibir o apetite... É vitamina pra suprir o que a falta dos alimentos faz... É uma bola de neve.

 Como foi que nós nos acomodamos tanto?! Ficamos medrosos, justificando para nós mesmos a obrigatoriedade de uma vida "estável". Casamos porque a pessoa é legal e porque "está na hora", temos um filho para, quem sabe, preenchermos as tantas lacunas em branco que temos e para seguir o protocolo. Permanecemos no cargo que nunca almejamos, porque é o "correto" a se fazer. "A vida é isso mesmo." NÃO! A vida não é isso! Uma vida cômoda é uma vida triste. Felicidade nem sempre é sinônimo de comodidade. Nenhum cartão de crédito ou droga sintética vai te promover a felicidade que você já deixou de procurar por achá-la impossível de encontrar. A vida é para nos atrasar, vez ou outra, para despentear nosso cabelo tão cuidadosamente arrumado. A vida é para trocar um amor morno por uma paixão em ebulição, por que não? A vida é para morarmos junto de quem nos faz feliz. A vida é para trabalharmos no que gostamos, e dessa forma poder apreciar e agradecer por cada despertar. A vida realmente não é fácil. Mas também não é tão complicada como parece. Nós, humanos, é que temos essa mania.

Se ninguém arriscasse, mudasse e investisse numa “loucura”, ainda estaríamos morando em cavernas. As maiores descobertas da humanidade são proveniente das maiores “loucuras” da humanidade. Você não pode largar seu emprego de carteira assinada para abrir uma loja de doces, que é teu sonho? Tudo bem. Você não pode fazer isso POR ENQUANTO! Mas, você pode fazer seus doces no tempo livre e vender no seu condomínio...vender pela internet, vender aos amigos do trabalho...nada te impede de criar a sua marca, dar àquele nome, que você sempre quis. Fazer etiquetas, cartões. E vivenciar o teu sonho. Quem te disse que pra isso você precisa faturar 1 milhão ao ano? A sua ALMA é doceira. A sua condição temporária não afeta isso. Você ESTÁ advogada. Direito foi sua escolha, sua prioridade para um momento da vida, não se condicione para sempre ao direito. Você pode mudar. Eu? Eu sou escritora. Minha alma é escritora. Paciência... Preferia ter nascido com o dom para medicina, porque além de salvar vidas poderia ganhar dinheiro...Ganhar dinheiro com literatura num país como Brasil? Impossível. Bom...isso é o que todo me fala. Mas, eu já fui RP...eu já fui promoter, eu já fui coordenadora de casting de agência de modelos...todas essas atividades foram passageiras. Porque a minha alma permanece escritora e eu não tinha mais como frear isso. Então, cá estou eu, no meu atual escritório, onde sou editora de um site, escrevendo esse bando de coisas pra você. Se amanhã eu estiver vendedora ou caixa de supermercado, sem problemas.
Ainda assim, continuarei escrevendo um bando de coisas. Porque a nossa essência é imutável. Nós conseguimos camuflar, disfarçar, ignorar por um certo tempo, mas não para sempre. Somos o que somos. Ponto. Não temos como exigir garantias da Vida. Não sabemos se você vai fazer sucesso com seus doces ou se meus livros serão best-sellers.
Mas, faça por amor; Por prazer. Porque “sucesso” é relativo. Eu adoro meu emprego de editora, eu leio, crio conteúdo, passo o dia online, me informo, e escrevo meus textos pessoais. Eu moro logo ali na esquina, eu almoço em casa todos os dias, gasto 2 minutos andando. Eu busco as minhas filhas no colégio, e meu primeiro livro ainda não foi lançado. E quer saber? Eu já me acho vitoriosa por isso! Isso é SUCESSO pra mim! Escrever faz o meu coração bater.

Às vezes, a felicidade está muito mais perto do que se imagina, e justamente por ser tão singela, deixamos de enxergar. Estamos sempre esperando acontecimentos apoteóticos para começarmos, enfim, a sermos felizes. Queremos fazer uma grande cerimônia de casamento, queremos um emprego dos sonhos e um apartamento quitado antes dos 35 anos de idade. Um carro do ano na garagem e poder decorar lindamente o quarto do bebê. Nos esquecemos que são as pessoas que fazem o lugar, que 4 paredes muitas vezes NÃO são um lar! Que uma festa de casamento dura algumas horas, mas que o AMOR pode durar uma vida inteira. Não sabemos como pode ser bom caminhar de mãos dadas com quem se ama, sem aquele trânsito infernal! E não sabemos ainda, que bebês se aninham no nosso peito, nos nossos braços, e que eles vão odiar o próprio quarto pelos próximos 4 anos (experiência própria). E assim, vamos abafando a sutil essência da vida. Com vários “ E SE” e “ PORQUÊS” absolutamente dispensáveis. O coração é o termômetro da vida. Um coração sempre ritmado é uma vida sem entusiasmo. E uma vida sem entusiasmo é uma sobrevida. Um ser humano sem sonhos é como um zumbi. A gente tem que saber a hora de deixar a maré nos levar e a hora de remar para onde de fato, se quer ir.

Vá morar com teu namorado; Vá estudar teatro! Vá morar na praia! VÁ!!! Vá voltar pra faculdade; Vá matar a tua saudade; Vá comer um bolo inteiro de chocolate! Vá fazer amor com quem se tem vontade... Vá gozar à vontade! Vá perder a sanidade. Vá ganhar maturidade!
Só não deixe de VIVER. Procure algo que te dê PAZ, mas, que essencialmente, te tome o fôlego, de vez em quando. E deixe-se ficar sem ar. Você verá, que as melhores coisas da vida, duram tanto quanto um suspiro profundo. (Incluindo a nossa própria existência). Encha os pulmões. Vá!

 Bruna Stamato

Aquela saudade de mim...



Eu ando assim...ando por aí olhando para os lados, prestando atenção nas esquinas, para ver aonde eu me perdi de mim. Eu ando com saudade. Ando cansada... Ando, demasiadamente calada.
Sinto minha falta.
Não me lembro a última vez que eu ri, uma gargalhada mesmo, com vontade, não esse meio - sorriso automático que eu desenvolvi para não ter que ficar me explicando a cada momento e respondendo "está tudo bem", quando na verdade as coisas não vão tão bem assim.
Mas desta vez não é o mundo, sou eu. Não é com ninguém...é comigo mesma. 
Sumi. Meti o pé. Parece que eu também cansei de mim.

Sinto falta daquele entusiasmo que tomava conta do meu ser pela manhã, aquela fé bobinha que tudo iria, magicamente, dar certo, e da esperança que eu costumava ter, que daqui a pouco tudo poderia ter mudado pra melhor.
Sinto falta do "poder" que eu tinha, de mudar rapidamente de pensamento e me distrair com coisas pequenas, da minha excelente capacidade de ser, genuinamente, feliz.

Aonde será que eu fui parar? 

Hoje, me sinto só um corpo, uma carcaça vazia, encenando meu papel, com o piloto automático ligado. Tudo perdeu a graça...
Definitivamente, não era isso que eu esperava de mim.

Mal tenho me olhado no espelho, por que, de um jeito estranho, sinto certa vergonha de me encarar nos olhos. Não me reconheço. Não gosto muito do que vejo. Não simpatizo comigo.
Eu gostava de abrir uma cerveja, na minha própria companhia, colocar uma balada rock pra tocar e comer uma boa comida, ler uma revista, assisitir um filme.
Hoje, no entanto, vivo no "tanto faz". Com uma preguiça absurda de me satisfazer. 

Estou cansada de me procurar, mas é porque eu tinha esperanças de me reencontrar, qualquer hora dessas... Já tentei todas as formas de sedução que eu conheço, mas dessa vez, acho que o rompimento foi sério, eu não quis nem me escutar. Eu não caí na minha lábia...nem nas mentiras tão amigas que eu costumava contar.

O amor não se sustenta só de promessas. E desta forma também é o amor próprio, acredito eu.  A gente tem que se cuidar, se respeitar e se fazer feliz, constantemente. A gente tem que aprender a se priorizar. Antes que seja tarde.

Eu não acredito mais no amor, que costumava ser uma linda amizade...nos afastamos e agora somos estranhos. Dois covardes. 
E eu acho até meio ridículo sonhar com amor hoje em dia.

Acho que perdi a minha fé. A fé em mim mesma e na humanidade.
Perdi o feeling...Perdi não só o fio, mas a meada inteira.
E hoje sou metade. 

Respiro pela metade...durmo pela metade. Como pela metade. Amo pela metade.
  
As coisas estão meio sem cor. Parece que de repente eu me transportei para um filme de terror, onde não passo de mera figurante da minha própria história. Eu assisto de longe, e finjo que existo, mas a verdade, é que não...Hoje eu só assisto.

A pior saudade é a que sentimos de nós mesmos.

É um buraco que nada preenche, numa apatia aparente, disfarçada de desinteresse em uma sobrevida cheia de vazios.

Eu sinto falta do que meu bom humor e da minha braveza por vezes tão útil.
Eu sinto falta da minha leveza, e não é só de quilogramas que eu me refiro, é da leveza do espírito. 
Eu sinto falta de quando eu me produzia toda, e me achava bonita e tinha saco pra isso...de quando eu esperava ansiosamente o fim de semana!
Eu sinto falta de ter planos. De acreditar nos meus sonhos, de correr atrás dos meus objetivos. 
Eu sinto falta dos meus pequenos rituais cotidianos, daquela garota que não tinha medo de encarar a vida.
Eu sinto falta da disposição; Do tesão. E da paciência perdida.

Será, que de repente, tudo se resume a esperar o fim de semana para poder sumir do mundo por dois dias? 
Será que a vida, de repente ficou muito chata ou eu que fiquei chata demais pra vida?
Eu sinto saudade de viver; De EXISTIR. De me sentir acolhida!
  
De ter vontade de voltar pra casa, de me sentir em casa, de ter prazer em conhecer pessoas...De saber que eu tinha o meu lugar nesse mundo.

Eu ando assim...sem querer andar por lugar nenhum.
Eu ando assim...fugitiva e abandonada por mim.

Bruna Stamato