quinta-feira, 16 de março de 2017

Paremos de romantizar assassinos frios e culpabilizar vítimas

Paremos de romantizar assassinos frios e culpabilizar vítimas


Amor não mata. Que isso fique bem claro. O que mata é descontrole, ódio, psicopatia, e INSTINTO. A definição de “instinto” é bem clara: Instinto é intrínseco e atávico, ou seja, nascemos com Instinto, ninguém adquiri um “Instinto” ao longo da vida. Instinto é algo natural do indivíduo e de espécies. Instinto materno; Instinto de auto preservação; Instinto de caça; Instinto assassino.

Todos nós, seres humanos, somos assassinos em potencial, uma vez que um bandido ameace a sua família, sequestre um filho seu e você esteja lutando pela SUA sobrevivência, você é capaz de matar, para se proteger. Mas, matar quem teoricamente “amamos”, não é instinto de preservação, é instinto assassino, crueldade, frieza e tantos outros nomes, menos AMOR.
O que mais leio ultimamente é “Homem esfaqueia os filhos, a esposa e se mata”, e deixa uma carta explicando os motivos, tentando se justificar, aí eu leio comentários absurdos do tipo “Coitado, não aguentou a pressão e a crise financeira” ou “Quis poupar a família de sofrimento”.

OI???!!!!!!!!

Depressão é uma doença. Depressão leva milhares de pessoas ao suicídio, todos os dias, e dessas eu realmente tenho dó, mas MATAR a sua família inteira, as pessoas que você mais “amava” no mundo, requer um grau de frieza e maldade muito alto.
Se todo mundo que estiver em crise financeira decidir matar a família, a humanidade deixará de existir em pouco tempo. NADA justifica um ato desses. NA-DA.
Me pergunto se o mundo sempre foi horrível assim e nós não tínhamos acesso aos fatos ou se a coisa tá realmente piorando. Nossa geração dos “nascidos para o sucesso” não está sabendo lidar com as frustrações ou nossa geração veio totalmente deturpada e doente?
Seja qual for o caso, acredito que este é o momento para revermos nossos conceitos e olharmos com mais interesse para nossos amigos, familiares, namorados... Será que nenhum destes homens apresentou um tipo de comportamento estranho? Será que não ignoramos os sinais?

Um marido que mata a mulher por ciúme é um coitado ciumento e a mulher, uma vadia. Aliás, a mulher é sempre é culpada. É culpada por ser estuprada, quem mandou dar mole na rua? É culpada por ser assassinada, quem mandou terminar a relação? É culpada por ser agredida, quem mandou negar sexo ao companheiro?

Essa mentalidade tem que acabar, de vez. VÍTIMAS são VÍTIMAS e assassinos NÃO são coitados, são ASSASSINOS. Se não começarmos a mudar o modo de encarar as coisas, situações como essas serão normais e aceitáveis, se tornarão uma questão cultural, serão enraizadas em nós, em nossas crianças! Eu, definitivamente, NÃO quero um mundo assim para os meus filhos.
“MATEI POR AMOR”. Olha que disparate. Matou porque NUNCA amou, apenas possuiu. Matou porque não é um ser humano normal.

Acredito que toda a sociedade tem parcela de culpa nesses crimes. Quando justificamos o comportamento abusivo de um filho ou irmão, dizendo que “ele é ciumento, tadinho”, ou “eles brigam muito mas se amam”, estamos sendo cúmplices. Quando negamos os FATOS e não oferecemos ajuda efetiva e de profissionais de saúde mental, estamos sendo negligentes. Quando apoiamos a violência doméstica dizendo “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, estamos sendo coniventes. Quando você mexe na rua com uma menina, você está fazendo parte da grande massa da população que concorda com assédio. Quando você diz para os amigos na roda de bar que tem muita “novinha” de 13, 14 anos que GOSTA e que SABE o que está fazendo, você se torna um INCENTIVADOR desse tipo de CRIME. Quando você quer combater a corrupção governamental mas suborna o fiscal no teu negócio, automaticamente você se iguala e passa para o lado corrupto. E são justamente esses pensamentos e atitudes considerados “normais” pela sociedade, que puxam o gatilho.

Quando culpabilizamos as vítimas, estamos incentivando os crimes. Quando não damos a devida importância para fatos óbveis que estão bem à nossa frente, somos também, responsáveis pela violência. Quando apoiamos incondicionalmente atitudes erradas de alguém, estamos alimentando a loucura deste alguém. O AMOR verdadeiro se preocupa, zela, cuida. Será, então, que nós também não estamos apelidando outros tipos de sentimento, de “amor”? Se amamos um filho, devemos faze-lo pagar pelos erros, desta forma, estaremos dando uma chance para que ele se torne um ser humano de bem. Não podemos passar a mão na cabeça dele sempre, desde pequeno. Para depois não chorarmos dizendo que não sabemos como ele chegou nesse ponto...

Me entristece e me deixa mal, de verdade, quando leio esse tipo de notícia, que um pai matou os filhos a sangue frio por vingança...e que a mãe já havia feito BO contra o sujeito...Mas a culpa recai sobre ela. ELA que fez a vida do coitado um inferno. ELA que usava os filhos contra o pai. “Bem feito”.
Mas não podemos esquecer que amanhã pode ser com um de nós, porque ninguém está livre de uma situação dessas. Aliás, se você pensar bem, aposto que você vai encontrar no seu ciclo de amizade, algum caso de violência, de abuso psicológico, de ameaças.

NÃO HÁ JUSTIFICATIVA PARA UM CRIME DESSA NATUREZA.Ponto.

Encaremos os fatos e quem sabe, consigamos prevenir, ao invés de chorar depois.
Temos que falar mais no assunto. Temos que tirar a áurea mística que recobre casos horrendos e crimes hediondos, como o caso do assassino da Eliza Samúdio, que ainda tem FÃS. Quando penso nisso, meu estômago se revira. Essas pessoas que são FÃS desse ASSASSINO, são tão ou mais loucas e cruéis do que ele. E os inquisitores de Eliza, são Bruno´s e BRUNA´S em potencial. “Esse é o destino de mulher golpista”. Não. Esse é o destino de quem cruza com um ASSASSINO. ELE matou, isso é crime. Eliza, por sua vez, não cometeu crime algum.

Bruno não é um justiceiro que deu uma lição em alguém. Bruno MATOU alguém, e esse alguém por sinal, era a mãe do seu filho.

A humanidade perdeu a noção de tudo, do limite entre o bem e o mau, o senso de normalidade, os parâmetros de comparação, o escrúpulo, e a HUMANIDADE. Somos, de longe, muito piores que os animais, pois eles, matam para seguir a cadeia alimentar, nós, matamos por gosto, por hobby, por qualquer coisa.

Não subestimemos o mal e a perversidade, pois eles existem e nem sempre estão disfarçados de velhinha vendedora de maçã envenenada.

#EuNaoQueroUmMundoAssim


Bruna Stamato

Nenhum comentário:

Postar um comentário