domingo, 30 de agosto de 2015

As mulheres e a praia. Qual é a sua?

Ontem ouvi uma música que não escutava há tempos e pensei em voz alta “Essa música me lembra a praia, me vejo deitada numa areia ao pôr do sol...” e antes que terminasse o pensamento fui interrompida pela minha mãe que completou a frase “ao pô do sol, de mãos dadas com um amor ao lado...” e eu fiquei pensando...não, não era isso que eu ia dizer. Eu ia dizer “ao pôr do sol, com um Bellini gelado ao lado. 
Garçons me servindo coquetéis de frutas na areia, as ondas batendo, as luzes se acendendo e eu me preparando para jantar uns camarões delicioso mais tarde.” Ponto final. 
E parei pra pensar na minha vida como uma praia. 

Já tive a fase do luau na praia, aos 18, cercada de amigos, uma turma bacana, todo mundo animado e bonito só pensando -por sinal- em beleza, em corpos sarados, bebendo todas e curtindo como se não houvesse o amanhã. 

Já tive a fase do pôr do sol com o amor ao lado, lá pelos 25... enrolados numa mesma canga, em silêncio ou rindo muito juntos, sem se importar com a galera do luau porque a única coisa que importava mesmo era o AMOR! E..ah...a gente fazia tudo e qualquer coisa em nome do amor, cenas tórridas nas areias, atos impensados de madrugada, telefonemas arrebatadores ao melhor estilo “Agora ou nunca”, porque, de fato, aos 25 a gente pensa que é AGORA OU AGORA, porque não temos mais os tais 18 porém, AINDA não chegamos nos 30, então, se corrermos, conseguimos aproveitar o máximo da vida. 
Porém, os 30 chegam, querendo ou não. E com eles, a constatação de alguns fatos: Que toda aquela turma do luau na praia também chegou na casa dos 30...Que ninguém morre de amor(e que areia, às vezes, incomoda bastante!).Que aquele cara apaixonado do pôr do sol, como era mesmo o nome dele?! Enfim, aquele romance lindo, foi tão duradouro quanto o verão...ou até menos. 
Aos 30, nos damos conta que o dia seguinte existe (e provavelmente já aprendemos que não se deve misturar destilados com fermentados.).
Nos damos conta que são as contas que dão conta de nós. E começamos a colher os frutinhos que plantamos, mas que não necessariamente precisa ser AGORA OU AGORA, investimentos a médio prazo são uma forma sensata de poupar algum dinheiro pra trocar de carro no fim do ano.Então...eu, hoje, me encontro assim! 
Chegaria na praia, ou melhor, no resort na praia – porque aos 30 a quantidade não é mais o principal, nem a pressa a melhor amiga. É melhor poupar um pouco mais para investir um pouco mais e ficar num hotel melhor do que naquela nossa velha conhecida canga na areia de anos atrás...Chegaria ao meu hotel, sozinha, ouvindo Pharrell Williams, contrataria um pacote completo de massagem com direito a ofurô (não, realmente não precisa mais ser uma banheira enorme com hidromassagem e óleos e espuma e...vocês sabem bem o quê!) e depois de estar relaxada e me sentindo linda, aí sim, eu me sentaria no deck ouvindo a tal música (que era uma do Simon &Garfunkel se bem me lembro),com meu Bellini como melhor companhia. 

Curtir uma boa música, boa comida e aí...o que viesse depois, SE viesse algo depois, seria mero detalhe. Consequência do destino e não mais o principal objetivo da viagem. 

Não sei se porque eu comecei a vida muito cedo, talvez tenha antecipado a fase dos 18 para os 15 e assim sucessivamente... mas hoje aos 30 me sinto mais EU! Me sinto, mesmo. Sei quando estou bem e quando vou ficar mal e já não caio mais tão facilmente nas minhas próprias armadilhas.
Pois é...se tapear aos 30 é mais difícil rsrs E creio que aos 35 a gente queira ir para praia, ouvir a tal música ao pôr do sol com gargalhadas de crianças misturadas a chorinhos, com nosso querido marido ao lado e substituir o Bellini e as margueritas por sucos e sorvetes, não?! Me parece uma ótima ideia! Porque aos 40...aos 40 vou estar precisando de férias com certeza ou dar aquela escapadinha no fim de semana, talvez levar a minha irmã e mãe... E daí pra frente, segundo a minha mãe, o ciclo se reinicia! Voltamos a querer ir pro luau com os amigos, curtir todas, voltamos a querer um amor numa canga a qualquer preço...depois voltamos a sentir saudades das crianças pequenas e por aí vai...Mas nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará...como uma onda no mar...como uma onda no mar...

Aproveite a sua praia, seja ela qual for, curta tudo o que tem direito, porque cada praia nos deixa uma saudade. 
E, lembre-se do principal: Sempre é possível apreciar um novo pôr do Sol. Essa é uma dádiva que Deus gentilmente nos concede, todos os dias. 

Bruna Stamato

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