segunda-feira, 7 de agosto de 2017

À geração que sobreviveu aos anos 80/90: Que mundo é esse?!


Quero saber se eu sou a única que me pergunto isso com certa frequência: QUE MUNDO É ESSE?
Pois eu não ando muito confortável nesse molde atual de sociedade. Eu não estou conseguindo me encaixar num mundo onde tudo é preconceito, fobia e afins.

Já cogitei com certo entusiasmo a hipótese de criar uma colônia, distante dos grandes centros, para resistir aos Millennials, como vemos nos filmes futuristas de ficção, porque pra mim, não é mais um filme fictício, pra mim, este futuro aterrorizante chegou.

Vamos analisar as matérias recentes dos principais veículos de comunicação. Fala sério...não te causa um gélido pavor espinha à baixo?
Vendo esta nova geração em ação eu me espanto ao relembrar como era a minha infância e adolescência e como sobrevivemos até os dias de hoje.
Como sobrevivemos ao KiSuco, ao Kichute, que não era um Nike estrelado por nenhuma celebridade global, mas todo mundo usava numa boa? 
Como sobrevivemos a pais que vieram da geração Woodstock, que curtiam rock pra caramba, bebiam todas e nos levavam junto?! 
Como sobrevivemos andando com os irmãos, primos e amigos nos porta-malas dos carros e sem airbags?
Como comíamos Danoninho, Cheetos e McLanche Feliz e não morríamos??????
Como pudemos ser tão cruéis e apelidar de volta o colega da escola que nos apelidou primeiro?!
Como não nos matávamos aos bandos sem internet, sem celular e não estrebuchávamos de curiosidade sem saber das viagens e festanças MA-RA-VI-LHO-SAS que os nossos vizinhos faziam?
E o pior de tudo, meu DEUS: COMO FOMOS FELIZES ASSIM?


O mundo vem piorando ou nós é que não tínhamos tanto acesso às maldades humanas?

Como nossos pais foram irresponsáveis, Senhor...ao nos deixar brincar na porta de casa o dia inteiro, tomar banho de mangueira, roubar fruta do pé... a nos deixar correr descalços e a nos deixar ter bichinhos de estimação em casa... Como nossos pais foram BANDIDOS ao nos deixar de castigo quando aprontávamos e a nos ameaçar covardemente com o chinelo quando a bagunça ultrapassava todos os limites do bom senso...Como sobrevivemos e o pior de tudo, COMO AMAMOS E RESPEITAMOS pais tão tiranos desse jeito?

Como estamos vivos até hoje, após as meninas terem brincado tanto de boneca e casinha e os meninos, de carrinho e luta? Como conseguimos crescer adultos lúcidos e sãos, se fomos cruelmente obrigados a usar roupas rosas na meninas e tons escuros nos meninos? Como não enlouquecemos por ter que ir à missa todos os domingos? Por ter que pedir a bênção aos nossos avós e por não gritarmos com nossos pais e muito menos pensarmos em levantar a mão pra professora...?!

Como chegamos nos dias atuais sem saber falar mandarim, alemão e russo, fluente aos 9 anos de idade? Como resistimos à uma vida onde chegávamos cansados da escola e assistíamos Chaves e Chapolin e depois dormíamos a tarde inteira?

Como podemos guardar com carinho as festas caseiras que ganhamos de aniversário e que não tinham decorações estroboscópicas, e que só tinham bolos preparados pelas mães e brigadeiro, cajuzinho e beijinho enrolado pelas tias?
Me responda!!

SOMOS LOUCOS!

Nós, os nascidos nos anos 80, somos completamente loucos. Pois sentimos saudade disso tudo, choramos de medo do que está se tornando esse mundo e porque gostaríamos de voltar no tempo.
Nós somos pirados, cara...Porque conseguíamos dançar música lenta colados, sem letras de putaria e sem competições para ver quem rebola mais até o chão... Eu realmente sinto te dizer, mas nós somos um bando de doidos, pois nos conformávamos em viajar nas férias de fim de ano, de carro com nossos pais e nos alegrávamos por ganhar de Natal canetinhas FaberCastell e jogos e brinquedos que pudéssemos jogar com os amigos. Nós somos uns lunáticos porque adorávamos colecionar gibis e papéis de carta...e os Tazo´s dos salgadinhos da Elma Chips. Tolinhos...

Eu me sinto um alienígena porque ainda gosto de folhear livros e revistas e porque eu ainda prefiro álbuns de fotografia a álbuns digitais. Eu me sinto um peixe fora d´água porque ainda prefiro uma roda de bar ao Tinder...

Como nós nos apaixonávamos e nos casávamos e namorávamos muito, sem curtidas, likes e aplicativos para isto?
Como nós, mulheres, conseguíamos conquistar um cara sem termos grandes próteses de silicone nos seios e sem sair mostrando os peitos, a barriga e a polpa da bunda - tudo de uma só vez?
E por que nós, mulheres, não nos sentíamos extremamente ofendidas quando esse cara insistia para pagar a conta do encontro e nos deixar na porta de casa?

Como não fomos dizimados por comermos glúten, sódio e açúcar?
Como não fomos presos aos montes por chamar nossos amigos negros de negros e nossos amigos brancos de branquelos?!
Como chegamos até o ano 17, do terceiro milênio da era cristã, sem cosméticos e comidas veganas, sem coach´s de tudo e youtubers com seus conteúdos altamente relevantes (estou sendo irônica)? Como chegamos até aqui comendo carne, bebendo Martini e run, sem "treinar" 6x por semana e sem competirmos o tempo inteiro, uns com os outros?! 
COMO temos como ídolos, seres tão falhos e errôneos (e humanos) como Cazuza, Raul, Renato e Morrison?! E a Xuxa...bom...A XUXA, CARA!
E a banheira do Gugu...e os grupos de axé com suas dançarinas...
Como ousávamos ter o devaneio de nos apaixonarmos perdidamente numa noite em bailes de carnaval e já marcar o próximo encontro pro dia seguinte? Como éramos bobos por cultivar amizades, princípios morais e por nos preocuparmos com os outros...por irmos lutar nas ruas quando achávamos que estávamos sendo feitos de palhaços e por colocar a família sempre em primeiro lugar...

Não sei. Somos sobreviventes. 

Mas não posso deixar de confessar a pena que sinto de uma geração que não sabe o que é achar que seu coração vai saltar pra fora do peito ao receber um bilhetinho escrito a mão com uma declaração de amor e uma música dos Beatles.
Que não vai se emocionar com Ghost - Do outro lado da Vida e nem se empolgar loucamente com Ferris Bueller e seu Twist and Shout e Dirty Dancing! *risos* 
Tenho dó dessa geração que é escrava da tecnologia e mais ainde, de si mesma. Que precisa tomar remédio para dormir, para acordar, para diminuir a fome, para aumentar os músculos, para frear os ímpetos, para viver sem estar, de fato, vivo.
Não sei o que teria sido de mim sem as fitas cassetes do papai, com Dire Straits, James Taylor e Barão Vermelho...e sem as letras, hoje em dia proibidas e jogadas na fogueira da inquisição moderna, dos saudosos Mamonas Assassinas! Eu não seria a pessoa que sou hoje se eu não tivesse podido acompanhar as gestações e curtir os filhotes da minha cadelinha, se eu tivesse sido criada por uma babá ou se tivesse que passar a maior parte do meu tempo no período integral na escola...Eu teria sido infeliz se tivesse tido a minha infância exterminada por cursos e cursos e milhões de atividades sem fim, por não ter podido assistir o Chapolin e não ter nunca jogado "Dicionário". Eu teria sido infeliz se a minha mãe me proibisse de comer chocolate e batata frita. Eu teria sido infeliz se eu tivesse que passar pela adolescência sem The Offspring! E se eu nunca tivesse ido a um show do Charlie Brown JR. (Obrigada por isso, mãe e pai!)

Só lamento e temo pelos que vão chegar e encontrar esse mundo tão louco, deturpado e CHATO. E que vão ter um celular como melhor amigo e que serão criados por Millennials que perderam completamente a noção de tudo.

Não sei se é pra se orgulhar ou se entristecer, mas fomos a última geração genuinamente feliz que esse mundo vai ver...

Pois é, já não fazem mais música e seres humanos, como antes.
































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