quinta-feira, 20 de abril de 2017

Não puxou nem a mãe, nem o pai! Seu filho é muito mais do que isso!

Tais expressões são normais, e desde que usadas com sabedoria e brincadeira, ou seja, em tom de leveza e não de rispidez, não vejo muito problema em usá-las.
O perigo, pra mim, mora quando a hereditariedade se torna obrigação. 
E então, o que era para ser um dom, se torna um fardo.

Não é incomum vermos filhos de artistas famosos, totalmente aversos à fama e arte. E uns até que desenvolvem repulsa e rebeldia para com as profissões dos pais.

"Quem sai aos seus não degenera". Mas...podemos degenerar. Temos o direito de discordarmos de nosso DNA. Podemos desertar; Abdicar do trono.

Só não podemos forçar e incutir aos nossos filhos, a qualquer custo, características que competem a nós. Dons que gostaríamos de ter podido desenvolver, carreira que gostaríamos de ter tido oportunidade de seguir, e caminhos que tivemos que trilhar e explorar sozinhos.

Penso, que ao estimularmos a individualidade e a singularidade dos pequenos, estamos proporcionando liberdade, para serem eles mesmos. Sim, com todos os prós e os contras, de ser quem se é. Acho importante começarmos desde cedo, a compreendermos como funciona a personalidade e as necessidades de cada um. Deixemos descobrir quem são! Suas aptidões; Pontos fracos; E peculiaridades que nortearão suas vidas.

Aqui em casa por exemplo, eu não deixo comer chocolate durante a semana. Nos finais de semana eu libero um brigadeiro ou um bolão de chocolate. Isso funcionava muito bem até certo ponto. Quando a Nini, minha caçula, tinha uns 3 pra 4 aninhos, ela começou a ficar muito rebelde, brava mesmo, quando íamos ao mercado ela chegava a se tremer e chorar quando via chocolate.
Pensei comigo "Ela é mais birrenta que a Juju!", mas meu (atual ex) marido na época, conversou comigo e disse que ele também é assim e sempre foi! Que é chocólatra, e sente real necessidade de chocolate. Que a qualidade e produtividade dele melhora muito quando ele come um chocozinho ali no dia...
Ou seja, a Juju "puxo a mim" e a Nini, a ele!
Tive o ímpeto de fazer tal comparação, mas detive a língua, pois não queria condiciona-las a esta regra.
"Olha, você é igual ao seu pai e você é igual a sua mãe". 
Não, nada disso...eu conversei e expliquei que as regras continuariam as mesmas e que, eventualmente, algum dia, uma delas tivesse uma vontade muito grande, que ao invés de chorar e tremer, que conversassem com a mamãe que chegaríamos a um acordo, pois tudo é conversável!
O tempo foi passando e a Juju manteve a pouco vontade de doces...e a Nini manteve a paixão por chocolate. Então, procurei entender a individualidade delas, e hoje, Juju com 10 e Nini com 6 aninhos, tem dias que eu tenho que liberar um pedacinho de choco durante a semana. Não era o ideal, mas se fez necessário. Não abusei da permissividade, como faria ao dizer que ela era igualzinha ao pai. Poderia soar como o pretexto perfeito para exagerar, muito além da real necessidade.
Bom, esta a minha forma de encarar as "puxadas" consanguíneas *risos*
Aqui em casa por exemplo, sempre fui muito cobrada por não me dar bem em matemática... COMO PODE SER, filha de um engenheiro químico, físico E matemático, Mestre e professor, ter as piores notas da sala?!
Hoje, do alto dos meus 32 anos, confesso que desenvolvi FOBIA de matemática. Bloqueei total.
E também não gosto quando dizem algo como "Ah, você não gosta de ler? E não se deu bem em português? Como pode? Filha de escritora!"
A escritora sou eu, o matemático era meu pai, a socióloga, minha mãe... Minhas filhas não têm nada a ver com isso! rsrs
E acho bonitinho quando tem prova de matemática no colégio, a Juju vir me dizer "Mãe, vou pedir que o espírito do vovô Álvaro me acompanhe na prova hoje!" e eu já disse, afim de incentiva-la "Seu avô era excelente em matemática! Quem sabe não trazemos um pouquinho disso em nós?! Temos que investigar!".
Nas provas da semana passada inclusive ela me disse "Mãe, não puxei o vô...detesto matemática!" e eu disse "Eu também! Mas você é ótima em inglês e ciências, então vamos trabalhar em cima das dificuldades!". E está tudo bem!
Acho que elas estão entendendo que não precisam ser boas escritoras ou apaixonadas por livros, só porque eu sou...Não precisam desenhar maravilhosamente bem só porque o papai desenha bem... 
Elas podem ser quem são.
Pois antes de serem engenheiras, médicas, escritoras, desenhistas ou sociólogas, eu quero que elas sejam FELIZES!
E pra mim, não há na vida, felicidade maior do que ser amado, respeitado e aceito, com todas suas qualidades e DEFEITOS, exatamente por quem se é!
:)

Bruna Stamato 

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