segunda-feira, 17 de abril de 2017

Aquela saudade de mim...



Eu ando assim...ando por aí olhando para os lados, prestando atenção nas esquinas, para ver aonde eu me perdi de mim. Eu ando com saudade. Ando cansada... Ando, demasiadamente calada.
Sinto minha falta.
Não me lembro a última vez que eu ri, uma gargalhada mesmo, com vontade, não esse meio - sorriso automático que eu desenvolvi para não ter que ficar me explicando a cada momento e respondendo "está tudo bem", quando na verdade as coisas não vão tão bem assim.
Mas desta vez não é o mundo, sou eu. Não é com ninguém...é comigo mesma. 
Sumi. Meti o pé. Parece que eu também cansei de mim.

Sinto falta daquele entusiasmo que tomava conta do meu ser pela manhã, aquela fé bobinha que tudo iria, magicamente, dar certo, e da esperança que eu costumava ter, que daqui a pouco tudo poderia ter mudado pra melhor.
Sinto falta do "poder" que eu tinha, de mudar rapidamente de pensamento e me distrair com coisas pequenas, da minha excelente capacidade de ser, genuinamente, feliz.

Aonde será que eu fui parar? 

Hoje, me sinto só um corpo, uma carcaça vazia, encenando meu papel, com o piloto automático ligado. Tudo perdeu a graça...
Definitivamente, não era isso que eu esperava de mim.

Mal tenho me olhado no espelho, por que, de um jeito estranho, sinto certa vergonha de me encarar nos olhos. Não me reconheço. Não gosto muito do que vejo. Não simpatizo comigo.
Eu gostava de abrir uma cerveja, na minha própria companhia, colocar uma balada rock pra tocar e comer uma boa comida, ler uma revista, assisitir um filme.
Hoje, no entanto, vivo no "tanto faz". Com uma preguiça absurda de me satisfazer. 

Estou cansada de me procurar, mas é porque eu tinha esperanças de me reencontrar, qualquer hora dessas... Já tentei todas as formas de sedução que eu conheço, mas dessa vez, acho que o rompimento foi sério, eu não quis nem me escutar. Eu não caí na minha lábia...nem nas mentiras tão amigas que eu costumava contar.

O amor não se sustenta só de promessas. E desta forma também é o amor próprio, acredito eu.  A gente tem que se cuidar, se respeitar e se fazer feliz, constantemente. A gente tem que aprender a se priorizar. Antes que seja tarde.

Eu não acredito mais no amor, que costumava ser uma linda amizade...nos afastamos e agora somos estranhos. Dois covardes. 
E eu acho até meio ridículo sonhar com amor hoje em dia.

Acho que perdi a minha fé. A fé em mim mesma e na humanidade.
Perdi o feeling...Perdi não só o fio, mas a meada inteira.
E hoje sou metade. 

Respiro pela metade...durmo pela metade. Como pela metade. Amo pela metade.
  
As coisas estão meio sem cor. Parece que de repente eu me transportei para um filme de terror, onde não passo de mera figurante da minha própria história. Eu assisto de longe, e finjo que existo, mas a verdade, é que não...Hoje eu só assisto.

A pior saudade é a que sentimos de nós mesmos.

É um buraco que nada preenche, numa apatia aparente, disfarçada de desinteresse em uma sobrevida cheia de vazios.

Eu sinto falta do que meu bom humor e da minha braveza por vezes tão útil.
Eu sinto falta da minha leveza, e não é só de quilogramas que eu me refiro, é da leveza do espírito. 
Eu sinto falta de quando eu me produzia toda, e me achava bonita e tinha saco pra isso...de quando eu esperava ansiosamente o fim de semana!
Eu sinto falta de ter planos. De acreditar nos meus sonhos, de correr atrás dos meus objetivos. 
Eu sinto falta dos meus pequenos rituais cotidianos, daquela garota que não tinha medo de encarar a vida.
Eu sinto falta da disposição; Do tesão. E da paciência perdida.

Será, que de repente, tudo se resume a esperar o fim de semana para poder sumir do mundo por dois dias? 
Será que a vida, de repente ficou muito chata ou eu que fiquei chata demais pra vida?
Eu sinto saudade de viver; De EXISTIR. De me sentir acolhida!
  
De ter vontade de voltar pra casa, de me sentir em casa, de ter prazer em conhecer pessoas...De saber que eu tinha o meu lugar nesse mundo.

Eu ando assim...sem querer andar por lugar nenhum.
Eu ando assim...fugitiva e abandonada por mim.

Bruna Stamato   


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