segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Século XXI e suas síndromes modernas





Com a correria diária, é difícil conter o stress e o cansaço, é difícil desligar a mente e concentrar-se no que se precisa, para o agora. É difícil vivermos o HOJE, quando o AMANHÃ nos causa pré – ocupação excessiva.

No entanto, é importante lembrar que, quando o stress se sobrepõe aos períodos de descanso, podem ocorrer problemas mais sérios, às vezes um déficit de vitaminas e até mesmo deficiências hormonais da glândula supra-renal. Com isto, ficamos suscetíveis às infecções, vírus, nosso sistema imunológico fica fraco e aí vira uma bola de neve. Muita gente trata cansaço e tristeza como besteira, preguiça e simplesmente “deixa pra lá”, mas esse “deixa pra lá” pode nos custar caro lá na frente.

Nem toda tristeza é depressão, no entanto, a depressão é a grande vilã do século XXI. Seguida pela famosa e arrisco dizer, banalizada, Síndrome do Pânico. Uma soma de falta de tempo para viver o que, de fato, se quer, maus hábitos alimentares, rotina de sono fraca e falta de atividades físicas, contribuem e muito para quadros depressivos. Estima-se que cerca de 30% da população mundial sofra de depressão e que ao menos a metade, nem se dá conta disso. Já a SPA (Síndrome do Pensamento Acelerado) comete 80% de adultos, crianças e adolescentes atualmente. 80% é um índice altíssimo e preocupante.

Mas muito se tem ouvido sobre as “síndromes” do século, e basicamente todas elas possuem um fator em comum: O excesso de informação. Pode parecer bobagem, mais éramos vistos como a geração fantástica, há alguns anos atrás. Previa-se que em 2017 seríamos muito mais felizes que qualquer outra geração! Que teríamos acesso a todo tipo de conteúdo, que conseguiríamos empreender muito mais facilmente e que nós, nascidos em meados dos anos 80, no auge de nossos míseros 30 anos, estivéssemos totalmente preparados emocional e financeiramente, para sermos CEO´s de nossas próprias vidas. Mas, algo não saiu como o planejado.

Esse excesso de informação em tempo real e o excesso de cobrança pessoal, faz com que a nossa geração sofra de alta ansiedade, de síndrome Do Pensamento Acelerado (DR. Augusto Cury), essa que nos causa perda de memória, dificuldade de concentração, dispersão, e de outras síndromes “modernas”, como a Fadiga Adrenal, a síndrome de Burnout e por aí vai. Esta última, Burnout,  é um termo psicológico que se refere à exaustão prolongada  severa e queda de interesse ligado ao trabalho.  E a Fadiga Adrenal, além do cansaço excessivo, os sintomas são: infecções e gripes frequentes, ansiedade, irritabilidade, alterações do sono, baixa libido e ereções não mantidas, tonturas, baixa concentração e memória, apatia, compulsão por doces, salgados, cafeinados e frituras, tristeza sem explicação e medo sem causa aparente.  Conhece alguém assim?

Pouco conhecida, a Fadiga Adrenal muitas vezes é confundida com depressão e pânico. Quando diagnosticada, deve ser feita uma reposição com hormônios biodênticos, que são iguais aos secretados pela glândula supra-renal. Se não tratada, pode levar a doenças como obesidade, diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares.

Para se ter uma idéia do tamanho do problema do qual estamos falando, um bom exemplo é a quantidade de informação impressa, filmes ou arquivos magnéticos: seriam necessários dez computadores pessoais para cada pessoa guardar apenas a parte que lhe caberia sobre o que é produzido. Até o final do ano estarão disponíveis três bilhões de páginas na Internet. Hoje existem, no Brasil mais de 100 emissoras de televisão no ar, em diversas línguas, com especialidades diferentes. Há 100 anos existiam cerca de 200 revistas científicas no mundo. Agora são mais de 100 mil.

O excesso de informação já produziu até mesmo a versão 2001 dos hipocondríacos: são os cybercondríacos que passam a apresentar sintomas imaginários. Quem tem sofre disso não consegue dormir, quer estar online 100% do tempo, não consegue viver sem redes sociais e nem pode pensar em ficar longe de um smartphone.

Num mundo onde temos que, aos 30 e poucos anos, termos uma carreira sólida, um carro do ano e um apartamento quitado, com uma família montada dentro, como se sentem os que não conseguem? E àqueles que conseguem e não suportam a pressão? É aquela velha historinha: a grama do vizinho é sempre mais verde. Ao invés de aproveitarmos toda essa informação global, começamos a “espiar” os “vizinhos”, mas nossa janela, hoje é o Facebook. Desta forma, criamos um universo muito mais competitivo onde o “inimigo” é INVENCÍVEL, pois nenhum de nós sabe realmente o que o outro passa, só vemos o que as pessoas querem mostrar, e aí, realmente complica...pois na Facebookolândia tudo é lindo! Todas as pessoas são desprovidas de preconceitos, são politicamente corretas, são cultas e politizadas, ficando difícil para quem se sente um mero mortal nessa vida.

Temos que correr, tempo é dinheiro e dinheiro é tudo (?!). Até o belo dia que passamos mal, nossa cabeça nos coloca de cama e aí gastamos todo o nosso dinheiro correndo atrás da saúde, que perdemos, correndo atrás do dinheiro. Dá pra entender tal equação?

Deu errado. Nossa geração não está sendo feliz desta forma. Hoje vejo homens com mais de 30 anos, agindo feito moleques e querendo correr – literalmente- de volta para a casa da mãe. Tenho amigos com grandes cargos em multinacionais que têm que tomar remédios tarjados para dormir, para acordar, para controlar os ânimos. Gente que se formou brilhantemente aos 23 anos e que hoje, 10 anos depois, quer largar tudo e vir ser músico na Bahia. Isso porque nós, dos 80´s, fomos a última geração a ter uma adolescência relativamente tranquila, imagina essa geração de nascidos de 2000 pra cá? Daqui pra frente, a coisa tende a piorar. É preciso ficar atento.

Não se sinta mal por ter consciência disso, por estar se sentindo assim, é uma condição passageira, sempre há tempo de pegar o caminho inverso, de desacelerar, de aprender a viver com menos. O verdadeiro sucesso, na minha concepção, é aquele que nos dá alegria genuína, e não, necessariamente, o que nos gera uma receita anual de 800 mil. E acredite, na maior parte das vezes, um é oposto do outro. Dinheiro não é sinônimo de felicidade.

Que tal redescobrirmos como é bom ler um livro em silêncio, deitar numa rede para um cochilo no fim da tarde? Tomar café da manhã com pão quentinho e a família toda à mesa... Ir almoçar com a avó num domingo. Assistir um filme antigo. Chorar no final?! Deixar as crianças se sujarem de terra, subirem as árvore e comerem um bolo de chocolate todo?!

Temos que cultivar pequenos prazeres cotidianos , para que eles nos sirvam de bóia de sanidade neste mar de loucura chamado VIDA.

Bruna Stamato

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