sexta-feira, 29 de julho de 2016

Explicando o amor à uma criança

Noite dessas estava eu na cozinha de casa batendo uma receita caseira de bolo, quando entra a Juju, minha filha mais velha, agora com 9 anos. Como de costume ela se ofereceu para ser minha ajudante e pegar os ingredientes. À certa altura da receita eu disse “Juju, você esqueceu o fermento!! Sem fermento não tem bolo!” e risada vai, risada vem eu emendei “E você sabe qual é o fermento da vida, filha?” Ela me olhou com aquela cara de indagação absoluta que só as crianças sabem fazer e disse que não, então eu respondi “O fermento da vida é o amor! Você pode até não colocá-lo na receita, mas aí a vida não rende, não cresce, fica murcha e sem graça!” Ela riu e seguiu no papo “Mamãe, e qual é a receita completa do amor?!”. E eu fui explicando, mais ou menos assim: “Filha, a massa básica para o bolo do amor é feita com 1kg de companheirismo e 2 copos cheios de confiança, bate tudo e você terá AMIZADE, e sem amizade a receita desanda. Daí acrescenta à essa amizade 5 colheres de sopa cheias de Risos! Pois o riso é o nosso ingrediente secreto, tipo a canela, que dá aquele leve gostinho no fundo. Agora que você tem a massa, bota no forninho do coração e deixa crescer! Daí, vamos para o recheio! Porque bolo sem recheio não dá! Podemos recheá-lo com lealdade e gotas de paixão. Para a lealdade você pega 1/3 xícara da nossa amizade já pronta, mistura com 3 colheres de respeito e 1 litro de sinceridade! Daí pega gotinhas de paixão e mistura tudo, passa bastante desse recheio sobre a nossa massa! E por fim, para a cobertura, vamos precisar de 3 doses de cumplicidade, 2 colheres de paciência, ½ xícara de compaixão e 2 copos cheios de boa vontade! Misturamos tudo isso e levamos ao fogo, bem baixinho, para encorpar e pegar o sabor e daí derramamos ainda quente sobre o nosso bolo! Você pode confeitar com granulados de tolerância, e ZELO ralado por cima! Ah, e se quiser, pode colocar uma pitadinha de ciúmes! *Risos* A cereja do nosso bolo de amor fica por conta da generosidade, que torna tudo mais lindo! Entendeu, filha? Se um dia você encontrar uma receita de amor na sua vida que não tenha Amizade, risos, lealdade, respeito, cumplicidade e generosidade, não compre! Porque não será o legítimo amor! Se no lugar disso tiver vaidade, posse , egoísmo e só atração física, de um achar o outro bonito e pronto, é porque a receita é genérica! Até parece amor, mas não é!” Reparei que seus olhinhos brilhavam mais do que de costume, ela sorriu e disse “Entendi mãe! Você pode repetir tudo de novo porque eu vou pegar meu caderno pra anotar?!” Crianças e sua ingenuidade tão ímpar! Espero que ela não esqueça mesmo, ao longo da vida, que o bolo PODE e DEVE ser completo, com todos os ingredientes e que se, um dia, faltar algum, e ela ache que realmente vale a pena, ela consiga substituir com algum outro similar. Que ela nunca acredite em bolos ocos, secos e sem sabor e nunca se conforme com recheios escassos. Que ela saiba diferenciar paixão de amor e veja que a paixão é um manjar muito doce e por tanto enjoativo, mas que o amor...o amor é tipo chocolate belga, derretido, que a gente vai se deliciando aos pouquinhos, cada dia ele fica mais gostoso e desse jeito, a gente não enjoa e não troca por nada, nunca! Nada de amor – meio- amargo! Amor bom é amor docinho, melado, que dá água na boca e não azia! Os ingredientes do amor são muito raros e caros! Por isso mesmo é uma receita muito especial e seleta; Não podemos encontrá-la em qualquer lugar, nem, muito menos, oferece-la á qualquer um! Pois não é todo mundo que sabe saborear um bolo de amor verdadeiro da forma correta. Bruna Stamato

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