quinta-feira, 27 de abril de 2017

Homem não é carreira, nem faculdade, nem loteria, nem garantia de nada, por tanto não pode ser obejtivo de vida.



O ano é 2017, mas pouca coisa mudou de 1937 pra cá
Ainda hoje, mesmo com todo movimento feminista ganhando força e visibilidade, mesmo com novas palavras que o Word nem consegue decifrar ainda, como 'Sororidade', mesmo com o fantástico empoderamento feminino, ainda vemos mulheres baseando suas vidas em cima de uma figura masculina.
Por que? Porque é cultura. Porque está enraizado em nós. Mas isso não significa que seja uma regra perpétua. Ou seja, é possível e já passou da hora, de modificarmos essa mentalidade retrógrada de que uma mulher só é plenamente feliz se tiver um macho - alfa ao lado  

Pera! Homem não é carreira ou trabalho. Homem não é faculdade ou curso técnico! Homem não é loteria nem garantia de estabilidade financeira. Homem não é status, nem grife. Como pode, homem, ser meta de vida?!
Bem como casamento não é garantia de felicidade (assim como falo no meu livro 'Eu nunca quis um marido eu sempre quis um companheiro').

Provavelmente a sua mãe (como a minha!) largou ou interrompeu a faculdade para poder se casar e cuidar dos filhos e da casa, a sua avó então...fez isso a vida toda e não são pessoas necessariamente infelizes. Pelo contrário, acredito e prezo muito pela FAMÍLIA e já vivi os dois lados da moeda também. Porém os tempos eram outros. O mundo era outro. 
Tenho como convicção de vida que uma união só deve ocorrer entre duas pessoas que muito se amam e que essa vida em comum deve SOMAR, que na pesagem da balança, o lado bom tem, obrigatoriamente, que prevalecer. E que esta entrega absoluta, essa abdicação de si mesma, só vale a pena se trouxer plena FELICIDADE à mulher. Caso contrário, se tornará um fardo e será puro desperdício de vida. 
Nossas avós não tinham outras ambições naquela época e mesmo que tenham estudado e trabalhado, a figura feminina na sociedade era outra.Viveram em uma época patriarcal, onde o homem era o principal provedor do lar.
E a figura da mulher era, essencialmente, a figura MATERNA. Ela podia ser costureira ou professora, mas todas as outras atividades eram secundárias, a principal função e o principal papel da mulher na sociedade era cuidar dos filhos e zelar pela casa. 

Antes que me digam que sou feminista extremista ou qualquer coisa do tipo, te digo: Casei-me aos 20 anos. Fui mãe aos 21 e depois aos 24, e fiquei casada por 10 anos. Abri mão dos meus estudos, bem como dos meus amigos, da minha cidade natal e fui morar na maior capital do ps. Fui mãe, esposa, dona de casa em tempo integral durante um tempo e realmente me senti em 1937, pois aguentei todo machismo respaldado por uma sociedade hipócrita. Onde o homem tem o direito de sair pra beber porque está "estressado", onde o homem tem o direito de dar umas escapadas porque tem "instinto", onde o homem não tem obrigação alguma de cuidar de filho porque "é homem" e não precisa saber cozinhar um ovo porque isso é obrigação da mulher.
Até que cansei. E vi que viver uma vida infeliz e reclamando não mudaria a minha situação. Eu queria ser tudo isso! Eu queria ser uma mãe maravilhosa e presente; Eu queria ser uma esposa atenciosa. MAS, eu também queria ser...eu.
Eu queria saber que eu era capaz de mais, eu queria voltar a estudar, eu queria me sustentar. 
Na época da minha separação (quase 3 anos atrás), as pessoas me diziam, e ouvi de várias amigas que eu estava LOUCA, que homem está difícil de encontrar e que eu deveria manter meu casamento porque afinal de contas, casamento era "isso mesmo". Eu deveria arrumar uma paquera para dar uma "apimentada" e seguir a vida.

Mas, por que raios eu tinha que ficar presa naquela situação?!
Porque eu tinha duas filhas. Porque eu era MULHER. Porque eu sairia em desvantagem. Porque eu não conseguiria dar conta sozinha. Porque ele tiraria a guarda de mim. Porque ele arrumaria uma novinha e eu, amargaria a solidão. 
Pois bem... A solidão me pareceu maravilhosa vista ao que eu tinha. E lá fui eu.

Então, o que acho que devemos fazer e realmente tenho percebido essa mudança nas gerações mais novas (tiro pela minha filha de 6 anos), é parar de incutir essa mentalidade CADUCA na cabeça de nossas meninas. 
Que mulheres têm que ser lindas e femininas e para serem lindas e femininas elas têm que ter cabelos cumpridos (se forem loiras, melhor ainda!) e vestirem no máximo 38, pois é disso "que homem gosta". Temos que aprender a cozinhar, pelo menos o "básico"
Temos que estudar, claro, pois homem não quer mais "mulher encostada". Temos que saber enlouquecer um homem na cama, sermos na rua uma dama e entre quatro paredes uma vadia e fazer o que ELES gostam.
Nossa sociedade atual ainda prioriza o prazer DELES. 
Crescemos ouvindo "Fulano a mulher e foi morar com a amante" e próprias mulheres comentam "Não devia dar assistência em casa pro marido, ele foi procurar na rua". Então casamento é só isso? Temos a obrigatoriedade do sexo diário conjugal ainda latente em nós. Fala sério...quantas vezes você transou sem vontade nos últimos tempos?

Alguém fala para um menino que ele tem que aprender a cozinhar para agradar a mulher? Que ele tem que ler como se cuidar de bebês para ser um bom pai? E que mulheres A-D-O-R-A-M sexo oral?! Faça sempre que quiser agradá-la e conseguir as coisas!

Alguém te disse, quando você era pequena, que você deveria ler bastante e aprender a tomar conta do seu dinheiro, desde a infância, pois isso lhe seria mais útil que uma pele perfeita? Alguém te ensinou a mexer num motor de carro ou a identificar um barulho estranho, para você não passar perrengue um dia que estivesse dirigindo sozinha? Alguém te disse que garotos podiam fazer balé tranquilamente sem os colegas o chamarem de gay?
Alguém te disse que você poderia usar o cabelo e as roupas que quisesse e que se você não se casasse estaria tudo bem?! Você ganhou mais jogos interativos e quebra-cabeças ou bonecas e panelinhas quando era pequena?

Veja bem: Nada contra bonecas e carrinhos. Mas TUDO contra a obrigatoriedade dos gêneros. 

Ainda hoje, que nossas ambições e desejos são outros, a maioria das meninas que está fazendo vestibular, está mais preocupada se o namorado vai pedi-la em casamento do que com a carreira que seguirá, em si. 
Ainda hoje, mulheres se anulam e se acostumam à vidas infelizes para manter um casamento fracassado de pé.
Ainda hoje, recebo ligações de amigas chorando depois de terem tomado uma garrafa de vinho, dizendo que passaram dos 30 anos e não se casaram e nem tiveram filhos e que a vida está uma merda por isso. 
Casar e construir uma família tem que ser algo natural e não por formalidade ou uma imposição social. 
Ter um namorado/marido/companheiro é uma consequência do fluxo da vida, não uma regra. Homem não é anti - depressivo; Nem muleta; Nem cartão de crédito sem limite! Então, como pode ser fonte de alegria absoluta?!

Essa semana minha caçula perguntou "Mamãe, preciso me casar para ter um bebê?" e eu disse "Não. Você só vai se casar no dia que se apaixonar por alguém e esse alguém se apaixonar você e aí você terá seus filhos, se quiserem. Mas você pode ter um bebê e não se casar. Você não é obrigada a casar." E ela sorriu e disse "Que bom! Porque eu quero um bebê, mas não vou querer casar não!" e rimos juntas. Pois realmente não quero que as minhas filhas se casem só por casar. Para cumprir os protocolos. Quero que elas sejam FELIZES, antes e acima de qualquer coisa! 

Eu pulava de namoro em namoro porque achava que a vida só tinha graça com um cara ao lado, e com isso não me dei o tempo suficiente para amadurecer e poder fazer boas escolhas. Fui começar a fazer isso depois dos 27 anos e descobri as maravilhas de ser quem eu sou e de que sou plenamente capaz de gerir a minha própria vida e ser ABSURDAMENTE FELIZ SOZINHA, depois dos 30!
Mulher que arruma homem para não ficar sozinha, acaba conhecendo o pior tipo de solidão

Por isso bato na tecla para as minhas amigas que vivem angustiadas querendo uma boia salva - vidas: Homem não é garantia de nada, por tanto, não pode ser objetivo de vida.
Aliás, nenhum outro ser humano no mundo, nem pai, nem mãe, nem filho, pode suprir a falta que nós mesmas nos fazemos, as lacunas que temos em branco. Esse "vazio" que possuímos não pode ser preenchido por mais ninguém. Vai por mim...
Talvez o que te falte seja a sua própria amizade; Seu companheirismo, sua complacência consigo e seu amor por si mesma. Se dê um voto de confiança. Veja do que você é capaz!

Eu me separei sem 1 real no bolso, enfrentei um processo de guarda, mudei de cidade, de estado, de cor de cabelo! Arrumei um emprego, fui fazer cursos, e aprendi a rir de mim mesma! Hoje eu mato minhas baratas, troco minhas lâmpadas e conserto minhas telhas quebradas. Mudei de roupas, de comida preferida e só ao "perder" tudo é que eu pude me achar de verdade, pois só sobrou meu EU nu e cru para me aguentar. E quer saber? Hoje, eu não me troco por ninguém!

Hoje eu tenho um companheiro, um amigão, um amor querido, mas porque isso não era mais minha prioridade, minha obsessão. Minha prioridade passou a ser meu bem estar. Por isso parei de procurar e deixei que o amor me encontrasse.

Não se preocupe. O amor tem um excelente sistema de GPS. Ele nunca erra o caminho. E nem se atrasa. Chega na hora certa! Em que aprendemos, a duras penas, que o melhor amor do mundo é o amor próprio.

Seja VOCÊ o seu orgulho, o seu rumo, o seu propósito de vida.
Você não vai se decepcionar. 

Bruna Stamato   
      

        

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