domingo, 4 de outubro de 2015

O dia que o sucesso chegou

Quantos anos você tem? Você está fazendo tudo aquilo que imaginava que estaria fazendo quando chegasse na sua idade atual? Você é bem sucedido? Aliás, o que é SUCESSO, pra você? Hoje, um domingo qualquer de muito Sol e calor, entre uma angustia corriqueira e outra, me peguei observando as crianças brincando lá fora, e a cena me causou uma alegria súbita! Instantaneamente meu cérebro foi inundado por serotoninas e endorfinas eufóricas e esqueci todos os meus anseios e angustias. Disse “Cara! É isso!” “Isso” é SUCESSO, pra mim. Eu tive uma infância muito boa, deliberadamente boa e extremamente feliz! Eu não viajei pra Disney aos 7 anos, tampouco falava fluentemente qualquer outra língua aos 11, mas fui uma criança feliz, tive meus pais sempre presentes, eles eram aquele tipo muito doido de pais, sabe? Que os amigos todos querem ter, que davam churrasco todo domingo e que sempre levaram a gente junto, pra todos os lugares, até para os que a gente não queria ir. Vez ou outra saíam sozinhos e quando voltavam iam correndo pro nosso quarto e nos enchiam de beijos dizendo “Morremos de saudade!” como se tivessem feito uma viagem de 1 ano. Eu tive vários bichinhos em casa. Sim, eu cresci numa casa pequena, com um quintal enorme e onde posteriormente meu pai construiu uma piscina e que a grande diversão da família era ver quem subia na boia de Free Willy. Nessa casa nós tivemos uma coelha, um papagaio, vários cachorros, e acreditem, quando eu era bem pequena até um cavalo meu pai me deu! Nossa cachorrinha dava cria 1x por ano e a minha mãe tinha dó de dar os filhotes então sempre ficávamos com a ninhada toda até eles ficarem bem grandinhos e dessa ninhada tirávamos 1 e consequentemente esse 1 tinha sua ninhada e nós ficávamos com mais unzinho só e por aí vai! A nossa casa sempre foi cheia de gente, cheia de vida, cheia de música. Aliás, agradeço aqui aos meus pais por terem me dado uma excelente herança musical, cresci ao som de The Police e Dire Straits. E essa vida simples, sem luxos e extravagâncias foi uma vida muito maneira pra mim! Nunca senti falta de aulas de esgrima, natação ou jazz, embora, se eu realmente tivesse PAIXÃO por qualquer uma dessas modalidades, tenho máxima certeza que meus pais teriam investido e apoiado essa paixão – como apoiaram outras quando cresci que nem valiam tanto a pena. Meus pais também pareciam não sentir falta de uma segunda (ou décima) lua de mel à sós, preferiam viajar de carro, com a gente brigando no banco de trás. Isso os fazia feliz! Hoje tenho essa certeza, embora hoje também tenha certeza de tantos sacrifícios que eles fizeram por nós. Eu daria tudo para voltar um único dia desses, de qualquer férias nossas e poder reviver aquela sensação outra vez...não, pera. Não dá pra voltar no tempo né? Mas hoje não precisa pois hoje me senti daquele jeito de novo, olhando as minhas filhas brincarem no meu quintal com as amiguinhas e o Sting, nosso gatinho filhote! Até poucos meses atrás nós morávamos num apartamento pequeno num bairro de classe média na capital paulista. Eu vivia angustiada porque as meninas não estavam no inglês desde os 6 anos...pq a minha caçula não gostava da aula de balé que nós, ás duras penas, pagávamos pra ela...eu vivia com medo de que elas não tivesse uma fábrica de boas memórias tão produtivas quanto a minha. Um pavor me percorria a espinha toda vez que eu pensava que quando elas crescessem e fossem narrar suas histórias, narrassem uma infância dentro de um apartamento, vendo a vida pela tela de um computador e simulando atividades físicas num vídeo game cujo cenário do joguinho era uma linda floresta, uma correnteza numa cachoeira...eu tinha medo que elas se assustassem ao ouvir o som de uma cigarra ao vivo, de que elas passassem o ano inteirinho esperando para darem um mergulho, para serem FELIZES. Medo que elas se sentissem diminuídas e intimidadas pelos coleguinhas que á essa altura já falavam alemão e inglês fluentemente, que já ganharam campeonatos de xadrez e já apresentaram grandes espetáculos de balé contemporâneo aos 5 aninhos. Pensava “Meu Deus, e se elas crescerem inseguras?” Insegura era eu porque, de fato, não estava gostando do modo como a vida tinha nos conduzido até ali, tão longe da casa de quintal grande cheia de bichinhos, do mar, longe de GENTE e se pré – ocupando com coisas que só deveriam ocupar suas mentes infantis daqui uns 8 anos talvez... E hoje quando olhei pra elas eu pensei É ISSO! Isso é sucesso, eu cheguei no meu ápice! Eu estou no topo! Eu sou um ser pleno e realizado! Daí eu entendi o porque dos olhos do papai brilharem tanto quando saímos juntos de férias...porque, pra um pai e uma mãe, o que mais importa é a felicidade dos filhos e para eles, os pequenos, o mais legal da infância é poder ser CRIANÇA!!! Ganhar uma competição de matemática na escola pode ser bem divertido! Jogar no computador é um puta passa tempo mas legal mesmo, me perdoem os “yuppies”, é sujar os pés na terra depois sair correndo pra um delicioso banho de mangueira. Bom mesmo é receber os amigos pra uma farra em casa, sem hora pra dormir e pra acordar no domingo! É claro que eu me lembro do Natal que eu ganhei um quadriciclo super irado mas a parte que o meu coração mais lembra é do meu pai tomando um banho ao abrir a garrafa de cerveja e como a gente riu muito dele! Acho super importante saber falar inglês, e ter aula de natação, mas realmente acho que essas fases vão chegar em breve...no momento, eu quero que elas saibam que se não chover tem que molhar a terra senão a horta não cresce, quero que elas saibam que um gatinho é um ser vivo, que precisa de cuidados, alimentação e muita paciência, quero que elas aprendam a nadar no mar depois de uns caldos básicos que todo mundo toma na areia, que elas percam seus medos de chuva, de grilos e de borboletas! Hoje eu ganho menos dinheiro do que ganhava em SP, mas hoje eu ganho um tesouro imensurável, eu posso leva-las e busca-las na escolinha e na volta a gente poder tomar um sorvete sem pressa e sem medo de se lambuzar porque se sujar o uniforme é só passar uma aguinha e botar no varal que logo cedo bate SOL, Sol de verdade, e seca tudo rapidinho! No lugar da piscina aquecida nós hoje praticamos standUp paddle! No lugar do trânsito infernal que nos consumia 3 horas por dia, hoje nós jogamos jogo da memória enquanto fazemos o jantar com o manjericão que nós plantamos, cuidamos e colhemos. Porque como dizia meu pai, na vida o plantio é opcional mas a colheita...essa meu amigo, é obrigatória! E eu sou um ser de SUCESSO absoluto pois a fabriquinha tem trabalhado muito ultimamente e eu tenho certeza de que estarei presente nessas boas memórias e que, assim como eu estou fazendo hoje, um dia elas sorrirão ao lembrarem do passado e passarão aos seus filhos e assim por diante...e é isso! Essa é a verdadeira herança, o único legado que vale a pena lutar para deixar. Eu quero que as minhas meninas sejam bem sucedidas, sejam competitivas e encarem o mercado de trabalho, bem como os outros desafios da vida, de frente e acredito que o aprendizado empírico ainda é o melhor caminho e que VIVER, viver mesmo, se molhar, pegar gripe, se sujar, aprender a arrumar o quarto, a separar as roupas para lavar, a jogar água no quintal e aprender que quando a lua tá cheia a maré tá alta e que com o vento sul não se brinca, fará delas adultos seguros e felizes e se elas quiserem ir trabalhar numa multinacional e mudarem para a Noruega um dia, ou se quiserem abrir um antiquário aqui mesmo na nossa cidadezinha atual, que elas saibam que EU as apoiarei em ambas as decisões e que o Sucesso é a paz de espírito, é poder fazer o que se gosta e que isso, dinheiro nenhum no mundo compra. Ter TEMPO para viver cada fase da vida e para dedicar a quem verdadeira se ama é a maior riqueza que existe! Uma utopia, talvez? Num mundo tão corrido...fazer o caminho inverso e se desacelerar pode parecer uma loucura. Pode ser. Mas não tenho pressa mesmo que elas cresçam...e antes de acharem que subestimamos as crianças, elas sempre consultam o ClimaTempo pelo tlabet pra saber se vai dar praia no fim de semana! ;) Tudo ao seu tempo, todo o tempo ao seu tudo. Bruna.

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